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  CASO CLÍNICO

11/11/2008
 
O Transtorno da Dismorfia Corporal - TDC - em relação à face
Autor/Fonte: Gerson I. Köhler
 
A preocupação excessiva com defeitos no rosto (reais, mas às vezes leves ou até apenas imaginários) e os cuidados que deve ter o ortodontista



O termo "dismorfia" vem do grego, significando "feiura". No caso de "dismorfia facial", teríamos um enfeiamento (melhor seria uma falta de beleza e harmonia) do rosto.

O TDC (transtorno da dismorfia corporal) - ou dismorfobia, como também é conhecida a doença - é definido como sendo "uma preocupação excessiva com um defeito real - às vezes até leve e em certos casos apenas imaginário - na aparência física".

Em nossa área especializada de atuação clínica (Ortodontia e Ortopedia Facial) avaliamos o que acontece com o rosto, principalmente com a região dentofacial (que engloba a boca e o sorriso, no contexto de harmonia e/ou desarmonia da face como um todo).

Como a face é o "nosso cartão de apresentação para com o mundo", é sobre ela que costuma incidir a maioria das reclamações dos pacientes portadores de TDC. Principalmente em mulheres - mas não só - já a partir da adolescência, aumentando com o início da idade adulta e tendo caráter progressivo (via de regra geral piorando, acentuando-se) a partir daí.

O que ocorre é que, às vezes frente a uma anomalia apenas leve - no caso dentofacial envolvendo a boca, o sorriso e até a fala e expressividade - a preocupação da pessoa é acentuadamente excessiva.

Isto costuma causar uma sensação constante de desconforto psicológico, gerando falta de bem-estar, interferindo danosamente na qualidade de vida da pessoa, com prejuízo - muitas vezes - sobre o próprio relacionamento, seja ele pessoal, familiar, laboral (no trabalho) ou social.

Muitos pacientes portadores de TDC tem a evolução desta doença como geradora de "perdas na vida", fazendo, muitas vezes, com que se isolem do mundo, nos casos mais graves.

Com relação aos tratamentos que procuram para "tratar e/ou minimizar aquilo que acham feio" - em nosso caso a face em suas características e expressividade - trazem consigo, normalmente, expectativas elevadas (às vezes até exageradas), fora da realidade clínica e terapêutica existente e possível.

Os profissionais da saúde que mais se deparam com este tipo de pacientes (portadores de TDC) costumam ser os cirurgiões plásticos, ortodontistas, odontólogos, cirurgiões maxilo-faciais, otorrinos (rinoplastia), dermatologistas da área estética e - por óbvio - psiquiatras e psicólogos entre outros.

Em termos médicos há evidências que informam ser o TDC ligado ao famoso TOC (transtorno obsessivo compulsivo) e também aos estados depressivos.

O TDC é definido, pela famosa publicação chamada DSM-IV (Diagnostic Statistic Manual of Mental Diseases, em sua quarta versão, pela Associação Americana de Psiquiatria) como sendo uma doença (ou melhor, uma síndrome) que traz sofrimento, isolamento, auto-estima e auto-imagem negativas (baixas) e complexos de inferioridade e/ou de feiura.

De acordo com o DSM-IV, os pacientes portadores de TDC podem ser classificados como sendo "excessivamente preocupados com uma anomalia física, causando a si próprios, sofrimento psicológico e existencial significativos em sua vida".

Estes pacientes, quando buscam tratamentos para normalizar (ou, pelo menos minimizar os defeitos faciais de que se acham portadores), devem ser, sempre, muito bem avaliados, diagnosticados e prognosticados, sob risco de não se sentirem satisfeitos (o que é muito comum para estes pacientes) com o tratamento possível. Em sua cabeça exigem, às vezes, algo até impossível de ser efetuado pelo profissional da saúde que os atenda. São portadores de uma expectativa doentia sobre a melhora que desejam para sua corporalidade.

Portanto, os especialistas de nossa área de atuação devem estar sempre voltados a prestar atenção no atendimento de pacientes portadores de TDC, cujas expectativas de tratamento são - às vezes - irreais.



Gerson I. Köhler, CD, EO/OF

Juarez F. W. Köhler, CD, EO/OF

Nilse Regina Waltrick Köhler, FGA, EMO



Equipe Clínica Interdisciplinar - Anomalias Dentofaciais

Curitiba(PR) - 41.3224.4883 - kohler1@uol.com.br



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