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  CASO CLÍNICO

30/06/2009
 
MELHORANDO A RESPIRAÇÃO ATRAVÉS DE TRATAMENTO ORTOPÉDICO FACIAL
Autor/Fonte: Gerson I. Köhler
 
MELHORANDO A RESPIRAÇÃO ATRAVÉS DE TRATAMENTO ORTOPÉDICO FACIAL

Para entender como funciona essa relação é importante notar que o teto da boca, o palato, é também o assoalho do nariz. Logo, uma má-formação da arcada superior dos dentes pode significar, também narinas estreitadas e redução da entrada de ar pela via nasal. Por isso, a ”disjunção maxilar”, procedimento ortopédico facial, pode ser uma opção eficiente para ajudar a melhorar a respiração nasal de crianças e adolescentes.



Esse método de tratamento - a disjunção maxilar ortopédica - é utilizado em casos conhecidos como “mordida cruzada” ou “mordida inversa”. Uma boa maneira de entender esse tipo de deformação é imaginar a relação entre uma pequena caixa e sua tampa. Os dentes superiores devem abraçar suavemente os inferiores, em todos os lados, como a tampa faz com a caixa.



O encaixe errado das arcadas (oclusão) costuma ocorrer quando a região óssea da nasomaxila (nariz e arcada superior) não se desenvolve corretamente no sentido transversal. Esse quadro, que faz com que o rosto vá ficando assimétrico, normalmente, está relacionado com a respiração pela boca, muito prejudicial ao crescimento dos ossos da face por estimular uma postura errada da língua, da mandíbula e da cabeça. Com isso, os músculos da face e do pescoço mudam sua forma de trabalhar e – como têm poder de modelamento sobre a ossatura, principalmente em crianças e adolescentes – alteram o crescimento dos ossos.



O resultado sobre a maxila é que esta se deforma, fica mais estreita, profunda e projetada para frente, o que, consequentemente, altera também a posição de erupção dos dentes. Retomando a ideia do teto da boca como sendo o assoalho do nariz, fica óbvio que com a maxila mais estreita, a passagem de ar pelas narinas pode ficar dificultada pela falta de espaço na parte inferior nas narinas. Assim, aciona-se a respiração de suplência feita pela boca. Está aí um círculo vicioso deformante do rosto.



De acordo com o caso, a “disjunção maxilar” pode ser uma ótima opção de terapia, porque ao separar a maxila para corrigir a mordida incorreta, ela também tem reflexos benéficos sobre a estrutura da base do nariz, liberando espaço para a entrada de ar. Outro ponto positivo, é que não se trata de um procedimento cirúrgico, logo, é menos invasivo e traumatizante para a pessoa. Seu efeito vem sendo muito estudado, tanto pela Ortopedia Facial e Ortodontia quanto pela Rinologia e, em determinados casos de estreitamentos severos da nasomaxila, médicos otorrinopediatras podem verificar - através do exame de rinometria acústica - que a respiração melhora em função do aumento do volume das narinas.



A potencialidade do tratamento - apesar de ainda controversa - já é reconhecida por diversos profissionais, inclusive em artigos publicados na área ortopédica facial quanto por conceituadas publicações especializadas na área de Rinologia, tais como American Journal of Rhynology, Revista Brasileira de ORL e Brazilian Journal of Otorhynolaryngology. Aqui, prova-se mais uma vez como a interdisciplinaridade entre áreas médicas pode beneficiar o paciente, no caso deste artigo, tanto para recuperar a potencializar uma respiração correta, quanto para corrigir e normalizar os dentes e os traços e a harmonia da face. Tudo a um só tempo, em benefício da saúde de crianças e adolescentes.



Gerson I. Köhler é ortopedista facial/ortodontista, docente convidado, desde 1988, da UFPR - pós-graduação.

Membro da Sociedade Paulista de Ortodontia e Ortopedia Funcional dos Maxilares) e Associação Brasileira de Sono. Mestre em Ciências na área de Eng. Biomédica - UTFPR



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