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ESPECIALIDADE ODONTOLÓGICA |
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Saúde Bucal e Controle Glicêmico Têm Linha de Pesquisa em Bauru |
| Autor/Fonte: Transcrito de Diabetes, Saúde & Cia - Ano 4 – Nº. 21 – Janeiro - Fevereiro 2003 |
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Especialistas comparam pacientes normais e insulinodependentes, apontam tendência mais acentuada do diabético para o desenvolvimento de doenças gengivais e, muitas vezes, maior dificuldade de tratamento.
Greghi sugere revisão ao paradigma de visitas semestrais ao dentista e aponta complicações e procedimentos mais comuns.
A doença periodontal e a sexta principal complicação do diabetes mal controlado e, embora não existam diferenças entre diabéticos e não diabéticos no que se refere ao comportamento dos microorganismos que podem ser causadores da doença periodontal, que atinge o suporte dos dentes, está constatado que na presença do diabetes mellitus ha maior suscetibilidade do indivíduo para diversos tipos de infecção. A explicação do professor da disciplina de periodontia Sebastião Luiz Aguiar Greghi, da Faculdade de Odontologia de Bauru, da Universidade de São Paulo (FOB-USP).
Segundo Greghi, por estar mais sujeito a oscilações o diabético insulinodependente tem também maior tendência a apresentar problemas com doenças gengivais e periodontais. O não insulinodependente sofre menos risco em função da menor ocorrência de descompensaçoes.
Uma das pesquisas atualmente em andamento na Periodontia da FOB-USP, relata Greghi, procura descobrir se a colonização por cândida - fungo que também poderia estar associado à periodontite - ocorre em nível diferenciado no diabético. Os tipos de microorganismo - são varias as bactérias que podem agir na região - são basicamente os mesmos nos diabéticos a não diabéticos, contudo o que se quer saber é se o portador de diabetes desenvolve maior quantidade desse fungo que os demais indivíduos.
Mas o especialista alerta que não menos importante que a presença dos é estar ciente que a debilidade do hospedeiro é fator preponderante para que o diabético desenvolva o problema. A doença periodontal não tem um único fator desencadeante. A presença de placa bacteriana é essencial para seu desenvolvimento, mas não suficiente isoladamente: há indivíduos com péssima higiene bucal, mas que por apresentarem boa resistência só chegam a desenvolver quadro de gengivite. Além da presença de bactérias, são igualmente fatores de risco para a periodontite as alterações sistêmicas, estresse, tabagismo, hereditariedade, idade, entre outros. No caso do diabético, também influi o tempo de convivência para a doença e o grau de complicações.
Uma das conseqüências do diabetes pode ser a debilitação da parte imunológica. O processo de defesa pelas células não se dá de forma adequada e a resposta do indivíduo não é a mesma de um não diabético. Quanto mais descompensado, mais facilmente a agressão bacteriana supera as defesas do indivíduo. Os efeitos da mesma quantidade de placas bacterianas podem ser diferentes no indivíduo controlado e no não controlado.
"A perda de inserção é muito mais acelerada e a dificuldade de se paralisar a progressão da doença é maior", afirma Greghi. O sangramento gengival é mais pronunciado em indivíduos com controle metabólico pobre e são maiores os valores de profundidade de sondagem, perde inserção, níveis de perda óssea, além de mais acentuada a prevalência de periodontite avançada.
As alterações teciduais ocorridas no periodonto em resposta aos altos níveis de glicose são fatores modificadores do curso clínico da doença periodontal, incluindo os mecanismos que podem potencialmente contribuir para muitos dos problemas sistêmicos encontrados em diabéticos, entre eles o processo de cicatrizarão. A fibronectina - proteína plasmática - que funciona como sinalizador para as células do ligamento periodontal entre o meio intracelular e o extracelular, sofre alterações diante dos altos níveis de glicose, repercutindo, assim, em mudanças morfológicas e morte das células do ligamento periodontal.
A hiperlipidemia, condição que geralmente acompanha a hiperglicemia, provoca alterações das reações básicas moleculares e celulares que interferem nas funções dos neutrófilos e acarretam o desenvolvimento de complicações do diabetes que se traduzem no prejuízo da cicatrizarão das feridas e na destruição observada na doença periodontal. A infecção periodontal pode induzir a um estado crônico de resistência à insulina, contribuindo para o ciclo da hiperglicemia a gerando, assim, um circulo vicioso.
A hipertensão arterial, que também comumente atingi o diabético, não esta identificada como fator causador de doenças periodontais. Segundo Grcghi, medicamentos utilizados no controle da hipertensão podem levar ao crescimento gengival que, por sua vez, pode facilitar o acumulo de placa e dificultar a boa higienização, propiciando a instalação de inflamação gengival. Esse quadro, associado a uma condição de doença periodontal já estabelecida, pode agrava situação. A solução, nesses casos, é a cirurgia, visando à redução do tecido gengival e criando a possibilidade de que o paciente tenha condições de promover higienização adequada da área.
O tratamento da periodontite objetiva estimular que a progressão da doença seja freada ou revertida. No diabético bem controlado, esse resultado é atingido de forma semelhante ao obtido com o não diabético.
No paciente descontrolado, o efeito da agressão é maior e há dificuldade de cicatrização e consequentemente de formação de tecido. Greghi reconhece que a intervenção diminui o foco de infecção, que também gera descontrole glicêmico, mas adverte que o tratamento tem de contar com o acompanhamento medico para melhores resultados a diminuição do risco de reincidência.
Estar mais sujeito a ocorrência de doenças leva à necessidade de acompanhamento mais freqüente. Antigamente, indicava-se visita periódicas ao dentista a cada seis meses. A constatação de que os indivíduos não têm a mesma suscetibilidade aconselha que a periodicidade seja estabelecida caso a caso. Alem disso, quanto maior a quantidade de fatores que podem provocar doenças periodontais, mais freqüente deve ser o acompanhamento e os exames feitos por especialista, com sondagem do sulco gengival e radiografias para se detectar perdas de inserção.
Normalmente o paciente diabético mais comprometido pode ser submetido à terapia antibiótica sistêmica como coadjuvante à terapia de raspagem radicular e controle de placa. Devido a colonização bacteriana predominantemente anaeróbia a gram negativa, alguns protocolos tem preconizado o uso associado de amoxicilina e metronidazol por período de 10 a 14 dias.
Essa terapia medicamentosa associada a terapia local de controle de placa tem por objetivo diminuir o grau de infestação bacteriana, mas deve-se ter em mente, enfatiza o especialista, que se o controle continuo da placa não for uma meta, se o controle metabólico do diabetes não for seguido e se controles periódicos pelo periodontista não forem rotina, a doença periodontal foge do controle, reativando forte ritmo destrutivo e levando inevitavelmente a perda de inúmeros dentes precocemente.
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