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ESPECIALIDADE ODONTOLÓGICA |
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VENDEM-SE SORRISOS... CONSIDERAÇÕES SOBRE A ESTÉTICA FACIAL |
| Autor/Fonte: * José Eduardo Pires Mendes |
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Para falar de ESTÉTICA é preciso começar pela FORMA. Do ponto de vista da evolução, a Função sempre precede a Forma. Para biólogos e morfologistas existem duas leis básicas que governam a funcionalidade dos organismos vivos.
A primeira é a “ LEI DO MENOR ESFORÇO” (ou Lei da Conservação da Energia). Significa que o trabalho a ser executado deve demandar o mínimo de esforço.
A segunda é a “ LEI DA AUTO-PROTEÇÃO” (ou Lei da Conservação do Tecido) –o trabalho deve ser feito sem que se danifiquem os componentes da “máquina orgânica”.
Poderíamos considerar ainda uma terceira Lei que seria uma combinação das outras duas: deve existir uma disposição tal, um arranjo espacial dos componentes orgânicos que executam o trabalho, no sentido de obter-se a máxima eficiência, condição necessária para a sobrevivência individual.
Transpondo-se tudo isso para o mundo da Ortodontia, as funções normais básicas desempenhadas pelo Sistema Ortognático , quais sejam: respiração, mastigação, deglutição e fonação, obedecem a essas leis. Tais funções devem ser levadas a efeito com um mínimo de esforço, auto-protegendo-se e com o máximo de eficiência.
Para tanto, dentro das possibilidades e das corretas indicações, os componentes físicos dessa fantástica máquina orgânica – bases ósseas, arcadas dentárias, músculos mastigadores, da expressão facial e da sustentação da cabeça, devem estar em posições espaciais e de reciprocidade que favoreçam a eficiência.
A FUNÇÃO determina a FORMA. Na luta entre músculo e osso, o músculo vence. O músculo pode ser levado a adaptar-se, mas o osso é obrigado a mudar de forma. O anatomista SICHER certa vez deu a melhor definição de osso: “um sistema de forças vivo e calcificado”. Em corte histológico sagital, a disposição e a direção do trabeculado ósseo da cabeça de um fêmur, por exemplo, mostram claramente o tipo de trabalho a que ele é submetido ,sustentando o corpo na luta contra a Gravidade, na contínua busca da homeostasia.
Osso em desuso torna-se osteoporótico e músculos que não trabalham atrofiam. A FUNÇÃO portanto, não só precede como determina a FORMA.
A ESTÉTICA e o estudo da Beleza
Ela é, como a lógica e a política, um ramo da Filosofia básica. Já se disse que a beleza está nos olhos de quem vê. Porém, é preciso que haja uma sensação que impressione e desperte nos sentidos um nível emocional de prazer. Esta forma de percepção não está na parte cognitiva do cérebro (neocortex), mas sim localizado no subconsciente, ou a parte primitiva, o Sistema Límbico. Lá, alguma coisa faz com que gostemos ou não daquilo que os nossos sentidos nos revelam. Portanto, somos capazes de selecionar a beleza por instinto.
De tudo o que foi exposto acima poderíamos concluir que existe uma conexão entre a referida disposição espacial dos componentes da face humana que visa a eficiência, e a sensação de prazer que a beleza desperta. É bem certo que a distância entre a função e a estética dever ser bem pequena...
ANGLE, WUERPEL e o Pêndulo das Tendências
Edward Angle foi o grande nome da Ortodontia, considerado o “Pai da Ortodontia Científica”. Sua genialidade nos legou, além do Aparelho Edgewise, do qual derivam todos os aparelhos fixos de hoje, duas heranças importantes: uma tendência “ não-extracionista” que marcou sua geração de ortodontistas e uma mentalidade “mecanicista” que até hoje impede que muitos ortodontistas raciocinem além das limitações de seu aparelho predileto.
Em 1936 Edmund Wuerpel era professor da Escola de Belas Artes de Saint Louis e famoso esteticista, cujos trabalhos influenciaram até mesmo a maquiagem das estrelas de Hollywood. Sendo amigo pessoal de Angle, conta-se que alertou-o para o fato dele produzir com seus tratamentos oclusões bem engrenadas, porém nem sempre rostos bonitos. A exigência estética da sociedade começava a mostrar sua força.
Iniciando-se com a célebre polêmica que com Angle travou Calvin Case, que contrariando o líder, defendia a idéia de que em certos casos, a Função e a ESTÉTICA eram melhor servidas extraído-se alguns dentes com finalidade terapêutica. Principalmente depois de Charles Tweed, o Pêndulo das Tendências oscilou e foi para o extremo oposto: chegava-se a fazer extrações em 8 para cada 10 casos de correção ortodôntica, resultando no famoso Perfil Côncavo, o perfil em “fundo-de-prato”.
A SÍNDROME DE HOLLYWOOD – as décadas de 30, 40 e 50 foram marcadas pela grande influência do cinema americano e dos rostos bonitos de atrizes e atores. Jovens sonhavam com a fama e era muito importante a estética da face. Os filmes “western” marcavam época – exaltavam os tipos de queixo agressivo como John Wayne, que intimidavam os bandidos apontando para eles dois revólveres e mais o mento...
Isto favorecia ainda mais a naturalidade com que se aceitava o Perfil Côncavo fabricado pelas extrações de 4 premolares.
Mas o Pêndulo continuava a oscilar. Na década de 60, o presidente John Kennedy foi talvez o rosto mais fotografado do mundo, em função dos acontecimentos. Seu perfil bonito, mais cheio e mais convexo, com todos os seus dentes, talvez tivesse começado a mudar no público a idéia do que seria um perfil bonito. A posterior entrada na mídia de negros e latino-americanos talvez tenha reforçado o conceito de um perfil mais convexo, na direção de soluções mais conservadoras no tratamento ortodôntico. O Perfil mais cheio dá idéia de juventude enquanto o côncavo acentua o nariz e o mento, sugerindo velhice.
Hoje o Pêndulo das Tendências busca uma posição de equilíbrio eqüidistante dos extremos.
É preciso que lembremos que o mais importante, acima de tudo é o DIAGNÓSTICO correto. É preciso primeiro compreender o problema, para depois decidir o que fazer com ele. A compreensão do Diagnóstico, o Planejamento consciente e as Terapias Ortodônticas e Ortopédicas inteligentes fazem de nós hoje, profissionais muito mais conservadores. A abordagem BIO-INDIVIDUALIZADA nos permite tratar nossos pacientes na sua divina individualidade. Afinal, cada rosa é uma rosa...
O que buscamos é: FUNÇÃO + ESTÉTICA = EFICIÊNCIA.
Certa vez ROBERT M. RICKETTS escreveu: “A Ortodontia pode parecer pequena no cômputo geral das coisas, mas nós, ortodontistas prestamos à espécie humana um serviço inestimável: ajudamos pessoas a integrar-se na sociedade, facilitamos seus caminhos e contribuímos para que sejam mais saudáveis e possam sorrir mais felizes.”
Como dizia Vinicius de Moraes, ...”beleza é fundamental...”
* José Eduardo Pires Mendes; Ortodontista Clínico; Conferencista – Ministrador de Cursos; Assessor para Assuntos Internacionais da S.P.O.
www.piresmendes.com.br
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